quinta-feira, 23 de abril de 2026

sobre mim e eu

curioso como escrevo querendo me enganar e sabendo que sou eu mesma a fazer isso com uma parte que se sente mais esperta e que acha que não pode ser enganada. eu que engano a mim mesma. eu que sou enganada por mim. minha algoz e vítima de mim. é bonito e contraditório; é sempre uma disputa para ver quem fala mais alto, quem tem o melhor argumento e conta a melhor história, a que vai ganhar meu juízo, a que vai decidir se enganei ou fui enganada. se fui eu a vilã de mim mesma ou a vítima do que me fizeram, mesmo quando a agente da ação não está fora, e a culpa de qualquer coisa não pode ser atribuída a ninguém mais além de mim, meu eu mais primitivo, o original, o primeiro que fui e que continua sendo pelos cantos das sentenças, como um auxiliar do eu. algo que vem de mim, do meu fundo, do mais longe que alcanço, do primórdio, de quando ainda não existia eu. eu só existia.


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