Não tardou a vir o peso na alma, porque hoje faz nove anos; faz nove anos que eu não sei dele, faz nove anos que ele resolveu desequilibrar as nossas vidas para tentar encontrar paz na dele. No caminho do cemitério Ana me disse: “Mãe, acho que teu pai deve estar orgulhoso de ti”, e eu disse: “Será? Será que ele tem alguma razão para isso? Será que ele sequer consegue pensar em ter orgulho de alguém?”, eu pensei.
Lembrei que quatro anos atrás, eu estava realmente de saco cheio da minha vida, e dos meus problemas, e num dia frio, muito frio e com chuva torrencial, eu resolvi ir até o cemitério brigar com ele. A pé, andando desarvorada, eu ia chorando, e quando cheguei lá, coloquei toda a minha revolta para fora, porque ele não poderia sumir assim, não para sempre, não sem me dizer pelo menos que alguma vez na vida dele ele se importou.
Eu ouvi um pouco mais dos dois lados da história, e o problema é que nenhum deles me favorece, nenhum deles me faz sentir mais sossegada diante da vida, e espero que essa covardia toda que eu vi, tanto dele quando dela, não me faça seguir seus passos de fuga. Não quero fugir da vida como eles, mesmo que me dê enorme vontade de fazê-lo às vezes, é preciso que eu pense em uma pequena criatura que descia pulando o largo parapeito do cemitério sem pensar ainda no que é a morte.
Mostrando postagens com marcador pai. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pai. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 25 de junho de 2010
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Nostalgia
Ando nostálgica...
Quanto mais o tempo passa, mais procuro recordações que me lembram tempos felizes, diferentes... Não que os dias presentes sejam ruins, são de independência e aspirações, mas se acaso tivesse consciência da efemeridade dos momentos passados, talvez fossem eles mais aproveitados...
Ontem fez oito anos que meu pai morreu... numa segunda-feira à tarde eu soube, e ele já estava sendo enterrado. Quantas perdas a vida nos reserva? Com o tempo perdemos tudo, até mesmo as recordações...
Olho para uma de minhas únicas fotos quando pequena, vestido branco, de chapéu - eu adorava chapéus - e de sapatos vermelhos... ainda lembro de ser brava e voluntariosa já naquela época... meu rosto na foto é confuso, como a vida.
O que nos nos reserva o tempo? Cura de mágoas, de arrependimentos... Definitavamente crescemos com nossos erros, aperfeiçoamos nossas escolhas... Olhamos para trás e rimos ou choramos, ainda assim, vamos vivendo.
Além da nostalgia, a melancolia tem me acompanhado, o choro fácil, a emoção repentina... Tudo tem afetado o corpo que envelhece a cada dia... Orgulho das melhores coisas - Ana -, saudades das relações mais difíceis - com a minha mãe - ainda procurando o sentido do rumo que a vida toma... Saudades dos tempos em que todos éramos felizes, pelo menos momentaneamente, juntos, todos nós, juntos, mesmo aqueles que não fazem mais parte da vida atual porque quem em algum momento fez parte disso tudo, de toda a história, sabe que certas coisas ficam para sempre... ou talvez não...
O ombro amigo, o conselho dado e recebido, as conversas intermináveis, gargalhadas pela madrugada, cinzeiros repletos, ruas de cima, descobertas, desilusões, brigas e adolescência, choros e birras, escândalos e discussões, abraços e soluços, paciência, muita paciência...
Crescer de repente, ter alguém que depende inteiramente de você, que te cobra, que te irrita, mas que você ama infinitamente, e sempre chora quando vê que está crescendo...
Apesar de não saber quem eu sou, ainda, sei que tudo, tudo pelo que passei, com quem passei, como passei, quando passei, tudo isso me fez melhor... mas ainda há tanto chão, tanto caminho, tanto pelo que viver que me sinto cansada...
Cansada, mas a gente continua, para alguém que fez parte disso, a gente continua, de um jeito que talvez nunca saibamos, porque o impacto e a presença que temos nas vidas de algumas pessoas pode ser enorme e marcante, um pequeno momento, um gesto simples, algumas palavras fazem com que nos tornemos eternos para alguém...
O que aprendemos, o que ensinamos, mesmo que através de nossos erros, sempre há uma lição, uma ideia, uma intenção, pois não escrevemos apenas a nossa história, também fazemos parte da história de muitos... mesmo que um dia isso se perca, houve um momento em que pensávamos que duraria para sempre.
Quanto mais o tempo passa, mais procuro recordações que me lembram tempos felizes, diferentes... Não que os dias presentes sejam ruins, são de independência e aspirações, mas se acaso tivesse consciência da efemeridade dos momentos passados, talvez fossem eles mais aproveitados...
Ontem fez oito anos que meu pai morreu... numa segunda-feira à tarde eu soube, e ele já estava sendo enterrado. Quantas perdas a vida nos reserva? Com o tempo perdemos tudo, até mesmo as recordações...
Olho para uma de minhas únicas fotos quando pequena, vestido branco, de chapéu - eu adorava chapéus - e de sapatos vermelhos... ainda lembro de ser brava e voluntariosa já naquela época... meu rosto na foto é confuso, como a vida.
O que nos nos reserva o tempo? Cura de mágoas, de arrependimentos... Definitavamente crescemos com nossos erros, aperfeiçoamos nossas escolhas... Olhamos para trás e rimos ou choramos, ainda assim, vamos vivendo.
Além da nostalgia, a melancolia tem me acompanhado, o choro fácil, a emoção repentina... Tudo tem afetado o corpo que envelhece a cada dia... Orgulho das melhores coisas - Ana -, saudades das relações mais difíceis - com a minha mãe - ainda procurando o sentido do rumo que a vida toma... Saudades dos tempos em que todos éramos felizes, pelo menos momentaneamente, juntos, todos nós, juntos, mesmo aqueles que não fazem mais parte da vida atual porque quem em algum momento fez parte disso tudo, de toda a história, sabe que certas coisas ficam para sempre... ou talvez não...
O ombro amigo, o conselho dado e recebido, as conversas intermináveis, gargalhadas pela madrugada, cinzeiros repletos, ruas de cima, descobertas, desilusões, brigas e adolescência, choros e birras, escândalos e discussões, abraços e soluços, paciência, muita paciência...
Crescer de repente, ter alguém que depende inteiramente de você, que te cobra, que te irrita, mas que você ama infinitamente, e sempre chora quando vê que está crescendo...
Apesar de não saber quem eu sou, ainda, sei que tudo, tudo pelo que passei, com quem passei, como passei, quando passei, tudo isso me fez melhor... mas ainda há tanto chão, tanto caminho, tanto pelo que viver que me sinto cansada...
Cansada, mas a gente continua, para alguém que fez parte disso, a gente continua, de um jeito que talvez nunca saibamos, porque o impacto e a presença que temos nas vidas de algumas pessoas pode ser enorme e marcante, um pequeno momento, um gesto simples, algumas palavras fazem com que nos tornemos eternos para alguém...
O que aprendemos, o que ensinamos, mesmo que através de nossos erros, sempre há uma lição, uma ideia, uma intenção, pois não escrevemos apenas a nossa história, também fazemos parte da história de muitos... mesmo que um dia isso se perca, houve um momento em que pensávamos que duraria para sempre.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Karla = Márcia + Carlos
Sou a junção dos dois, do melhor e do pior.
Karla é o resultado, hoje, de 24 anos de experiências múltiplas, felizes, tristes, frustrantes, difíceis, arrependidas, sábias... Karla é o resultado de tudo pelo que passou.
Karla ainda busca sua participação especial nesse mundo. Conta ainda com a idéia de ser chamada para fazer a diferença. Pensa nisso desde a infância, esperando o dia em que alguém fosse olhá-la e estendesse-lhe a mão.
Ainda busca a aprovação do outro para existir.
Espera ser salva e resgatada porque seu pai não estava lá, e sempre foi assim, ele nunca veio, e nunca virá. Nem ele, nem qualquer outro homem.
Um senhor de cabelos brancos e barrigudo, como o seu pai, foi o que sempre esperou. Queria que essa pessoa chegasse e lhe dissesse que tudo estaria resolvido, que ela não deveria se preocupar com mais nada.
Mas no fundo, sempre soube que nada disso existia...
Assinar:
Postagens (Atom)