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segunda-feira, 12 de março de 2012

Peidei, e agora?

O amor é lindo... Mas de que amor costumamos falar quando dizemos essa frase? Do amor que abre a porta do carro? que leva flores? que leva pra jantar? Esse é bem lindo, bem formal e cada dia mais raro de encontrar.

Tem também aquele bonito, que é o que dorme com você duas ou três vezes por semana, que às vezes leva uma cafezinho na cama, que manda mensagenzinhas em uma hora inesperada.

Tem aquele bem charmoso, que divide as contas com você, que prepara o almoço, que esquenta o seu pé no meio da noite.

Tem aquele sensual, que te faz sexo oral, pega você de jeito e te deixa boba só de ficar olhando.

Tudo é lindo, não é? Tudo é amor, então por que, por que, por que diabos as pessoas não admitem que suas relações avancem um passo a mais na intimidade através do compartilhamento de atitudes singelas e comuns a todos?

Para mim, não existe um relacionamento de verdade se meu namorado/marido não tem conhecimento de que eu peido, arroto, cago e mijo de porta aberta! E sim, é com essas denominações mesmo!

Ai, sempre a mesma história furada de "bons modos", "ninguém precisa saber o que eu faço no banheiro", "isso é porquice", "mulher não faz isso", "acaba com o encanto da relação" e blá blá blá.

Gente, vamos encarar os fatos:

Eu fui muito bem educada pela minha mãe, apesar de ter presenciado todos os tipos de necessidades fisiológicas dela. Vejam bem, ela me ensinou as regras e é importante você saber as regras, claro.

Mas é importante também que saibamos que uma coisa é a relação que temos com o outro que é o outro; aquele com quem não temos intimidade, com quem não temos convivência afetiva ou que não vive com o seu rabinho dentro da nossa casa.

Outra coisa totalmente diferente é a convivência que você tem com seu cônjuge. Uma pessoa com quem você decidiu compartilhar os melhores e os piores momentos da sua vida, sendo que mijar/cagar/peidar e outras coisas semelhantes sequer podem ser encaixadas como piores momentos, pois são apenas parte do dia a dia de qualquer ser que respire na face da terra.

Sua mãezinha, por exemplo, que deus a abençoe, limpou muito a sua bunda; aliás, tão incontáveis vezes que se duvidar, até hoje, quando você sente uma dor de barriga, pensa em ligar para ela. E é assim mesmo. As pessoas com quem você pode contar quando está na merda literalmente, geralmente são as pessoas com quem você vai poder contar para o resto da vida.

Não se trata de sentir cheiros; trata-se de intimidade, no seu estado mais "tcham" de ser. Não se trata de você fazer cara feia e ficar pensando "puta que pariu, ele/ela tá podre! morreu, mas ainda não foi enterrado!"; trata-se de você ter a liberdade para sentar no chão do banheiro enquanto o outro está cagando, e conseguir trocar altas ideias sobre um assunto qualquer, abstraindo o mau cheiro, porque não é disso que se trata a vida; de falar sobre o quanto a merda alheia fede. Afinal, acho que só valeria a pena discutir sobre isso no dia em que o cheiros exalados por mim forem de flores silvestres dos bosques longínquos que ficam além do arco-íris.

De que adianta você ter a relação mais "foda" do mundo, se quando você tem uma dor de barriga daquelas, em que as tripas se reviram, você empalidece e acha que vai ficar no trono pra sempre, você tem que manter o sorriso, correr para o banheiro, ligar a torneira e ficar cantando Macarena bem alto para que o seu digníssimo namorado não seja surpreendido por algum barulho de "peido metralhadora" e assim, descubra subitamente que o anjo de candura, delicadeza, educação e sensualidade que ele namora também peida, e pior, peida muito, e pior ainda, caga??? Diarreia??? Oh, meu deus!!! Pensei que mulheres direitas não fizessem isso! Cagar é coisa de puta!

Eu imagino que seja um choque muito grande mesmo, para qualquer relação, você descobrir que a pessoa que você ama, quando toma uma Coca-Cola bem gelada tenha vontade de arrotar e, veja você, às vezes arrota?! Um absurdo, não é mesmo? Quem faz isso? Vamos guardar esse tipo de reação absolutamente normal do nosso organismo dentro de nós mesmos, afinal, colocar pra fora é o cúmulo do que a civilidade rejeita.

São essas mesmas pessoas que vão a um banheiro público e ficam intimidadas de dar uma bela mijadinha porque outras pessoas, que também entraram lá para isso, podem ouvir o som do xixi caindo na privada. Não é ridículo imaginar que tem gente que se ressente de mijar numa porra de um banheiro público, que por acaso foi feito para que as pessoas mijem e mijem e mijem de novo e também para que caguem lá quantas vezes sentirem vontade porque têm vergonha de que outras pessoas as ouçam fazendo isso, sendo que é algo que todo mundo faz nessa porra dessa vida várias vezes em um único dia???

Fico puta com toda essa hipocrisia! Espero que vocês tenham lido o parágrafo anterior não como se tivesse sido dito, mas sim gritado, ok?

As coisas que saem dos nossos corpinhos não são limpas, é verdade, por isso são excretadas, mas o fato de  fazê-las não nos torna sujos ou sujeitos diminutos diante de ninguém. Ir ao banheiro não torna ninguém mais porco do que ninguém e o fato de você ter um relacionamento em que isso não é encarado como algo maior do que é, ao menos para mim, é fator de aproximação, no qual o outro sabe que eu o entendo e o respeito no que existe de mais básico em um ser humano, que é o seu aspecto fisiológico, que nem em um milhão de anos poderá ser mudado.

Se eu posso trocar fraldas, olhar pra cinco diferentes tipos de merda todos os dias e fazer isso ainda com um sorriso no rosto por saber que ela sai de dentro de um serzinho gracioso feito por mim; se faço isso pelos animais de estimação que tenho em casa, catando cocôs, por que não posso aceitar que a pessoa que amo e que escolhi para ficar comigo vai ao banheiro de porta aberta?

Falta de boas maneiras é não parar na faixa de pedestres, não dar bom dia, ter filhos que parecem o capeta em um restaurante ou não deixar que um idoso se sente no ônibus. Percebem a diferença entre intimidade e frescura?

Sim, porque para mim, isso não passa de uma frescura das brabas. Todo o romantismo e a magia do amor foram construídos ao longo de muitos anos, é verdade, mas isso não quer dizer que certos pontos de vista devam ser mantidos a qualquer custo. Pelo menos a minha visão sobre o amor é bem mais realista e portanto, acredito que mais romântica e menos superficial/iludida e por isso, devo dizer que me sinto bem feliz.

Quem estiver comigo, pode saber que conta com o meu apoio mesmo nos momentos cotidianamente malcheirosos da vida. Amar é aceitar e sublimar o que nos incomoda no outro para que o outro assim o faça conosco.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Isto não é um conto, é escatologia

Talvez influenciada pelo estudo do Naturalismo nas Artes, em especial na literária – não, nada disso, para quê mentir?! – eu tenha optado por falar de hábitos normais que as pessoas têm, mas que preferem esconder de todo mundo. Falo por mim mesma e não sou hipócrita, nem tenho aquela frescurada que a maioria tem, “Ai, que nojo!”, “Meu Deus, como você faz isso na frente de todos?”.
Ora, vamos e venhamos! Vai me dizer que você nunca fez nada disso? Daí me pergunta: “O quê, exatamente?”, e eu respondo:
Diga-me sinceramente se você nunca:
a)     arrotou?
b)    Soltou gases, flatos, peidos, arroubos inesperados da natureza?
c)     Coçou o saco?
d)    Tirou a calcinha da bunda porque ela já estava encostando no seu      “âmago”?
e)     Tirou aquela meleca verde e durinha do nariz, e antes de jogá-la fora, fez uma bolota nojenta e jogou na primeira pessoa que apareceu na sua frente?
Na certa, você vai responder que já fez tudo isso, mas lá, bem escondidinho no banheiro, ou em algum canto isolado em que ninguém pudesse ver, ouvir ou sentir aromas putrefatos que emanam do seu corpinho saudável.
Mas agora é que surge o questionamento que não quer calar, assim como aquele arroto de satisfação depois de um gole de Coca-Cola gelada repleta de gás carbônico: Por que esconder? O ser humano tem necessidades fisiológicas, tem instintos, que em determinadas situações nem a etiqueta consegue conter. E tudo são convenções.
Naturalmente, tudo isso é absolutamente normal. Vai dizer que depois de ficar meia hora sentado no vaso sanitário – lendo revistas, jornais, rótulos de desinfetantes, bulas de remédios, ou fazendo força, ou ainda olhando para as paredes – depois de todo esse esforço descomunal, você quer olhar sua “criação”, e não diga que não faz isso. O fato é que após a evacuação, todo mundo olha para a privada! Não minta! Espessura, cor, tamanho, textura... assim como todo mundo também confere o que saiu no papel higiênico, e só lava as mãos quando vê que ficaram com algum resquício da sua “arte”.
Até aí, tudo bem. Ainda estamos no banheiro, ninguém por perto. Talvez você até aproveite o tempo em que está quase “parindo” sua criação marrom, para tirar uma “caca” do nariz e passá-la na parede. Mas devo dizer, que essa atitude eu condeno com veemência, porque “limpar o salão” é normal, mas grudar suas porcarias na parede é porquice das grossas.
Bom, agora você já saiu do banheiro, mas sente que aquele pratinho modesto de feijão, salada de repolho e batata doce ainda não foi digerido por completo, transformando-o num homem-bomba, prestes a explodir ao mínimo sinal de pressão. A primeira vítima é sua mãe, que ordena que você vá arrumar seu chiqueiro, digo... quarto. Sem pensar duas vezes, surge aquela onda e sua calça fica quente... o gás mais denso que o ar se espalha e sua mãe quase desmaia. Embriagada pela “nhaca” que a intoxica, ela não tem forças para dizer que essa não foi a educação que lhe deu, e você sai. No caminho, encontra seu cachorrinho que também é filho de Deus – mesmo que algumas religiões digam que os pobres animaizinhos não têm alma, eles pelo menos têm mais cérebro do que muita gente que conheço – e está doido para dar uma voltinha pelo quarteirão, para demarcar território e sujar os sapatos dos transeuntes distraídos. Então, ele pula na sua perna e começa a trepar com ela, porque nunca, e olhe que ele já tem sete anos e meio, ele nunca cruzou com uma cadelinha. Você fica puto com o quadrúpede e solta um SPM (silencioso, porém mortal) daqueles! O pobrezinho cai com as patas para cima e você dá uma gargalhada maligna.
Aproveitando que está com super-poderes, não perde a oportunidade de infectar o elevador do seu prédio. Daí já viu, não há Bom-Ar que resolva.
Veja só, parece muito engraçada a situação, mas ela é real. Até dos corpos mais bonitos e torneados, até do corpinho de Barbie da Sandy sai merda. Quando morrermos, iremos todos para um buraco, e os vermes nos comerão sem qualquer distinção. Seja você uma velha morfética desgraçada de feia e flácida, ou o Mister Universo 2006.
Sabe quando você está com aquela calça super, hiper, mega, ultra apertada? Ela é tão apertada que até a celulite desaparece por causa da compressão. Então, imagine você dentro dessa calça 36 quando o seu manequim é 48. Às vezes, veja bem, às vezes, essa calça Boby Blues pode fazer com que sua tanguinha da Victoria´s Secret, idêntica a da Gisele Bündchen adentre seu belo rêgo que é depilado com cera fria de abelhas africanas. Nesse caso, restam duas opções: ou você mete a mão por dentro da calça e tira a maldita calcinha da bunda, isso é claro, se a sua mão conseguir entrar lá. Ou então, você é uma diva! Uma garota bem educada e controlada. Jamais teria uma atitude dessas. O óbvio é que vai esperar as três aulas acabarem, para depois ir ao toillete e fazer o que tem que ser feito, sem o conhecimento de ninguém, mas daí não é necessário ter pressa, pois agora além de ser a mais popular, você também é a mais assada do seu grupo de amigas.
Mudando de gênero...
Se você é homem ou nem tanto, mas possui uma bolsa escrotal cheia de chatos, você coça sua trouxinha produtora de esperma. Tudo bem, a parte dos chatos fica para os que não têm amor-próprio. Todo homem coça o saco, não importa muito de onde veio e a educação que teve, pois ele dá aquela puxada, arruma as “coisas”, sabe? E ainda assim, apesar das convenções sociais, isso é considerado normal. Coisas do sistema fálico como já diria a professora Simone Curi.
Arrotar por exemplo. Meu irmão e eu sempre demos altos arrotos! Nossa mãe odiava, chamava-nos de porcos e se perguntava como poderia ter filhos tão degenerados! (mentira, ela nunca nos chamou de degenerados, é só para aumentar o drama!).
Enfim, também devo dizer que me sinto discriminada na universidade em que estudo. Lá, eu solto arrotos homéricos, graves e tão altos, que até me inspiraram a compor um funk de duplo sentido, “Só dá eco à noite”.
Eu arroto e adoro isso! Se você nunca soltou um arrotaço, la la la, não sabe o que é legal. O mais interessante na verdade, é chocar as pessoas, ver o ar de reprovação delas sobre mim, ainda mais por que sou mulher, para a maioria isso é o fim do mundo! Por favor, somos animais, temos educação e boas maneiras, mas não me considero mal-educada porque a sociedade condena esses pequenos atos, dizendo que são algo sujo.
Sujo é você achar um absurdo quando alguém fala “caralho” ou “puta”, mas na hora da sacanagem, manda seu parceiro pôr o caralho para dentro e chamá-la de puta.
Isso é o que chamo de hipocrisia, já que fazemos coisas muito piores e mais podres do que soltar um peido, dar um arroto, ou quando tiramos meleca do nariz. Portanto, não me constranjo em fazer isso na frente dos outros. Que fique aqui claro que não sou uma pessoa avessa ao mínimo de educação, mas que tudo o que escrevi aqui é real, talvez não tão engraçado, mas é real.
E quem ler pode pensar que o meu conto, que de conto não tem muito, é uma afronta, que é forte, que é escatológico demais, mas essas são atitudes humanas, que podem não agradar a todos, mas que todos têm. É como se não acreditássemos que fazemos isso, porque fazemos de forma tão automática, que quando alguém nos mostra parece feio, de mau gosto. Bobagem!
Usando a máxima dos clichês: “Os incomodados que se mudem”... os que não têm cu, que explodam, e os que não arrotam por cima, hão de peidar por baixo!