o prazer não é o que atrai os amantes, mas aquilo que permite que, saciados, possam separar-se! O prazer não é um fim como meta, um fim teleológico da atividade amorosa. O prazer é um fim como extremo, que consuma e encerra o movimento do desejo, é o fim escatológico do desejo. De modo que não é o gozo o que determina o amor, mas apenas o que permite a calma desse ardor e assim tempera os ânimos da natureza humana. Assim, o amor portador do gozo é o que lhe cura a indigência da cisão primordial e ao mesmo tempo o que permite uma vida harmoniosa a cada uma das caras-metades humanas."
Em Arqueologia dos Prazeres, de Fernando Santoro
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Sobre ser mãe
Ter um filho é algo que muda as perspectivas da nossa vida. É bom? Sim. É mágico? Muito. Se eu teria outro filho? Não. Não, porque um filho envolve muito mais do que a visão de um pequeno e indefeso ser com cheirinho gostoso. Um filho envolve muito mais do que as condições necessárias para criá-lo; um filho envolve muito mais do que o desejo de ser mãe, muito mais do que desafiar a sua sanidade mental e colocar o controle da sua vida fora de você mesmo.
Imagine você, senhora da sua vida e do seu destino; agora, imagine-se com um filho. Pronto, você não tem mais controle, sua vida não é mais sua, sua vida agora é duas; a sua e a dele, sendo que sem ele, você não vive mais, não plenamente, não como antes, e um dia você não poderá mais dizer a ele o que fazer e como fazer. O filho vai viver a vida dele, e pode até se desligar de você, mas você... Você estará para sempre ligado a ele.
Durante nove meses eu fui o abrigo seguro e aconchegante que nutriu uma menina e fez com que ela se desenvolvesse perfeitamente. O que eu ganhei? Além dos seios caídos, das estrias por toda a parte e da barriga murcha e vazia, ganhei um título: o de mãe. Sonhava com ele só quando era criança, quando ter um bebê parecia encantador, parecia a mais nobre de todas as funções que uma mulher poderia ter.
Filhos são para a vida toda, mesmo quando se vão, mesmo quando somem, mesmo quando morrem.
Crianças demandam atenção, tempo, amor, disciplina, educação, afeto, colo, conforto, paciência, disposição; filhos exigem tesão! Tesão para acordar de três em três horas, e ouvir o choro da fome que não consegue ser expressado de outra forma, por enquanto. Tesão para parecer que você está de mudança cada vez que sai de casa carregando uma sacola enorme com fraldas, pomadas, lenços, paninhos, mudas de roupa, mamadeiras e chupetas, fora os brinquedinhos, ah, os brinquedinhos que acalmam...
Você tem que ter muito tesão para lavar as roupas de um bebezinho à mão, dar banhinhos gostosos, ninar, levar ao médico e quase morrer de dor no coração quando percebe que ele chora e que você já fez de tudo para que ele parasse, e ele não para, mas ele também não consegue dizer o que está errado, e depois de algumas horas de desespero ele cede, dorme nos seus braços de maneira angelical, e é só então que você consegue descansar.
Você tem que ser sábia e uma sábia com muito tesão para aprender a decifrar o pequeno ser, cheio de segredos, os quais você vai passar vida inteira tentando descobrir, sofrendo para descobrir, achando, com toda a sua arrogância de mãe, que já sabe de tudo. A gente sabe sim, mas é longe de ser tudo.
Nunca conseguiremos passar da porta da morada de nossos filhos, pois eles são muito mais do que nossa extensão, eles são o que são, são eles mesmos.
Minha filha me trouxe uma nova dimensão de vida, mesmo que eu não me dê conta disso muitas vezes. Ela ma traz todo o tipo de alegria; das únicas, como aprender a andar e a comer sozinha, até as mais prosaicas, como os desenhos lindos, o amor aos bichinhos, as risadas, os dentes que caem, e ainda há tantos por cair...
Minha filha ainda me deixará acordada durante a noite, morrendo de preocupação sem saber se ela está bem enquanto sai com os amigos; ela ainda vai me deixar de cabelos em pé pela rebeldia da adolescência; ainda vai me dar alegrias pelas suas conquistas, e vai chorar no meu colo pelas desilusões da vida que serão novidade para ela...
Pois ter um filho envolve muito mais do que ter alguém sob a sua égide, envolve você. E eu sou egoísta, sim, eu sou. Ter uma filha mudou tudo, mudou a minha vida, o meu corpo, o meu jeito de pensar e de agir, mudou os meus planos e minhas prioridades.
Não sou mais a mulher que era, porque hoje eu sou mãe. Antes dos meus desejos, eu sou mãe; antes de sair de casa, eu sou mãe, e preciso de alguém que tome conta da minha filha; antes de ser mulher, eu sou mãe, meu corpo não é como antes; sou mãe e sou imperfeita, sou mãe e não me sinto desejada, sou mãe.
No ventre, a cicatriz me diz que eu vivo fora de mim, o corpo flácido me diz todos os dias que eu sou mãe, mas ora ou outra ainda me surpreendo ao ouvi-la dizer a palavra “mãe”, sou eu. A mãe impaciente, brava, que acorda no meio da noite com o grito de desespero da menina que clama por ela, quando de súbito acordou e vomitou por todo o quarto. Eu sou a mãe, que orgulhosa, chora nas apresentações do colégio. Eu sou a mãe que, ouve contrariada, as reclamações que ela faz sobre mim. Eu sou a mãe que quer dormir até mais tarde nos finais de semana e espera não ser incomodada pelo seu pequeno “eu” que exige atenção aos seus novos feitos.
Eu sou a mãe que quer desistir de tudo às vezes, e que quando se sente muito sozinha, só tem vontade de abraçar, chorar e soluçar agarrada à pequena menina, que parece mais adulta do que eu mesma.
Eu sou a mãe que morre de medo de perdê-la e que jamais se perdoaria se alguma coisa ruim lhe acontecesse.
Ter um filho é viver um sem número de emoções boas e ruins, é ter vontade de colocá-lo de vez em quando no guarda-roupas e esquecê-lo lá por uma semana; ter um filho é sonhar com ele de saudade, é sentir o silêncio corroendo a casa vazia; é querer que eles não cresçam nunca, mas que cresçam logo.
Ter um filho é muito mais do que quem não tem um filho possa imaginar. E é por serem tão especiais que não devemos tê-los assim, a torto e a direito, de qualquer jeito, só para nos perpetuarmos, devemos tê-los conscientes de que nunca mais teremos paz, e de que da felicidade deles, depende a nossa.
Imagine você, senhora da sua vida e do seu destino; agora, imagine-se com um filho. Pronto, você não tem mais controle, sua vida não é mais sua, sua vida agora é duas; a sua e a dele, sendo que sem ele, você não vive mais, não plenamente, não como antes, e um dia você não poderá mais dizer a ele o que fazer e como fazer. O filho vai viver a vida dele, e pode até se desligar de você, mas você... Você estará para sempre ligado a ele.
Durante nove meses eu fui o abrigo seguro e aconchegante que nutriu uma menina e fez com que ela se desenvolvesse perfeitamente. O que eu ganhei? Além dos seios caídos, das estrias por toda a parte e da barriga murcha e vazia, ganhei um título: o de mãe. Sonhava com ele só quando era criança, quando ter um bebê parecia encantador, parecia a mais nobre de todas as funções que uma mulher poderia ter.
Filhos são para a vida toda, mesmo quando se vão, mesmo quando somem, mesmo quando morrem.
Crianças demandam atenção, tempo, amor, disciplina, educação, afeto, colo, conforto, paciência, disposição; filhos exigem tesão! Tesão para acordar de três em três horas, e ouvir o choro da fome que não consegue ser expressado de outra forma, por enquanto. Tesão para parecer que você está de mudança cada vez que sai de casa carregando uma sacola enorme com fraldas, pomadas, lenços, paninhos, mudas de roupa, mamadeiras e chupetas, fora os brinquedinhos, ah, os brinquedinhos que acalmam...
Você tem que ter muito tesão para lavar as roupas de um bebezinho à mão, dar banhinhos gostosos, ninar, levar ao médico e quase morrer de dor no coração quando percebe que ele chora e que você já fez de tudo para que ele parasse, e ele não para, mas ele também não consegue dizer o que está errado, e depois de algumas horas de desespero ele cede, dorme nos seus braços de maneira angelical, e é só então que você consegue descansar.
Você tem que ser sábia e uma sábia com muito tesão para aprender a decifrar o pequeno ser, cheio de segredos, os quais você vai passar vida inteira tentando descobrir, sofrendo para descobrir, achando, com toda a sua arrogância de mãe, que já sabe de tudo. A gente sabe sim, mas é longe de ser tudo.
Nunca conseguiremos passar da porta da morada de nossos filhos, pois eles são muito mais do que nossa extensão, eles são o que são, são eles mesmos.
Minha filha me trouxe uma nova dimensão de vida, mesmo que eu não me dê conta disso muitas vezes. Ela ma traz todo o tipo de alegria; das únicas, como aprender a andar e a comer sozinha, até as mais prosaicas, como os desenhos lindos, o amor aos bichinhos, as risadas, os dentes que caem, e ainda há tantos por cair...
Minha filha ainda me deixará acordada durante a noite, morrendo de preocupação sem saber se ela está bem enquanto sai com os amigos; ela ainda vai me deixar de cabelos em pé pela rebeldia da adolescência; ainda vai me dar alegrias pelas suas conquistas, e vai chorar no meu colo pelas desilusões da vida que serão novidade para ela...
Pois ter um filho envolve muito mais do que ter alguém sob a sua égide, envolve você. E eu sou egoísta, sim, eu sou. Ter uma filha mudou tudo, mudou a minha vida, o meu corpo, o meu jeito de pensar e de agir, mudou os meus planos e minhas prioridades.
Não sou mais a mulher que era, porque hoje eu sou mãe. Antes dos meus desejos, eu sou mãe; antes de sair de casa, eu sou mãe, e preciso de alguém que tome conta da minha filha; antes de ser mulher, eu sou mãe, meu corpo não é como antes; sou mãe e sou imperfeita, sou mãe e não me sinto desejada, sou mãe.
No ventre, a cicatriz me diz que eu vivo fora de mim, o corpo flácido me diz todos os dias que eu sou mãe, mas ora ou outra ainda me surpreendo ao ouvi-la dizer a palavra “mãe”, sou eu. A mãe impaciente, brava, que acorda no meio da noite com o grito de desespero da menina que clama por ela, quando de súbito acordou e vomitou por todo o quarto. Eu sou a mãe, que orgulhosa, chora nas apresentações do colégio. Eu sou a mãe que, ouve contrariada, as reclamações que ela faz sobre mim. Eu sou a mãe que quer dormir até mais tarde nos finais de semana e espera não ser incomodada pelo seu pequeno “eu” que exige atenção aos seus novos feitos.
Eu sou a mãe que quer desistir de tudo às vezes, e que quando se sente muito sozinha, só tem vontade de abraçar, chorar e soluçar agarrada à pequena menina, que parece mais adulta do que eu mesma.
Eu sou a mãe que morre de medo de perdê-la e que jamais se perdoaria se alguma coisa ruim lhe acontecesse.
Ter um filho é viver um sem número de emoções boas e ruins, é ter vontade de colocá-lo de vez em quando no guarda-roupas e esquecê-lo lá por uma semana; ter um filho é sonhar com ele de saudade, é sentir o silêncio corroendo a casa vazia; é querer que eles não cresçam nunca, mas que cresçam logo.
Ter um filho é muito mais do que quem não tem um filho possa imaginar. E é por serem tão especiais que não devemos tê-los assim, a torto e a direito, de qualquer jeito, só para nos perpetuarmos, devemos tê-los conscientes de que nunca mais teremos paz, e de que da felicidade deles, depende a nossa.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Nove anos
Não tardou a vir o peso na alma, porque hoje faz nove anos; faz nove anos que eu não sei dele, faz nove anos que ele resolveu desequilibrar as nossas vidas para tentar encontrar paz na dele. No caminho do cemitério Ana me disse: “Mãe, acho que teu pai deve estar orgulhoso de ti”, e eu disse: “Será? Será que ele tem alguma razão para isso? Será que ele sequer consegue pensar em ter orgulho de alguém?”, eu pensei.
Lembrei que quatro anos atrás, eu estava realmente de saco cheio da minha vida, e dos meus problemas, e num dia frio, muito frio e com chuva torrencial, eu resolvi ir até o cemitério brigar com ele. A pé, andando desarvorada, eu ia chorando, e quando cheguei lá, coloquei toda a minha revolta para fora, porque ele não poderia sumir assim, não para sempre, não sem me dizer pelo menos que alguma vez na vida dele ele se importou.
Eu ouvi um pouco mais dos dois lados da história, e o problema é que nenhum deles me favorece, nenhum deles me faz sentir mais sossegada diante da vida, e espero que essa covardia toda que eu vi, tanto dele quando dela, não me faça seguir seus passos de fuga. Não quero fugir da vida como eles, mesmo que me dê enorme vontade de fazê-lo às vezes, é preciso que eu pense em uma pequena criatura que descia pulando o largo parapeito do cemitério sem pensar ainda no que é a morte.
Lembrei que quatro anos atrás, eu estava realmente de saco cheio da minha vida, e dos meus problemas, e num dia frio, muito frio e com chuva torrencial, eu resolvi ir até o cemitério brigar com ele. A pé, andando desarvorada, eu ia chorando, e quando cheguei lá, coloquei toda a minha revolta para fora, porque ele não poderia sumir assim, não para sempre, não sem me dizer pelo menos que alguma vez na vida dele ele se importou.
Eu ouvi um pouco mais dos dois lados da história, e o problema é que nenhum deles me favorece, nenhum deles me faz sentir mais sossegada diante da vida, e espero que essa covardia toda que eu vi, tanto dele quando dela, não me faça seguir seus passos de fuga. Não quero fugir da vida como eles, mesmo que me dê enorme vontade de fazê-lo às vezes, é preciso que eu pense em uma pequena criatura que descia pulando o largo parapeito do cemitério sem pensar ainda no que é a morte.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
O cavalo morto
Ele estava entre as duas pistas de asfalto, numa larga faixa de terra batida, alaranjada. Havia poças de lama e muito lixo espalhado. Ali estava o cavalo morto - um pobre pangaré, daqueles que trabalham à exaustão puxando uma carroça - caído de lado, teso como se fosse um boneco, um boneco podre. À sua volta, ao longo dos dias, ia se formando um lodo de chorume que se soltava da carne que ia estragando e estragando. O animal inchado como um balão, tinha coberto o corpo de larvas de moscas, que depositavam ali seu pequeno legado de imundície. O pelo marrom já era ralo, e tinha a língua para fora, empretecida. O cheiro de carniça me fazia imaginar como estavam as tripas do bicho naquele instante, se é que ainda havia tripas, se é que o corpo morto não tinha se autodigerido para no fim de todo o processo virar nada. Eu vi sua cara vidrada, os olhos sem brilho, opacos, os dentes amarelados e a gengiva apodrecida. Parecia ter morrido de susto, e qual seria o susto de se ver morrer e jazer na rua? Como indigente a céu aberto, carne podre para ser cuspida, o cheiro da morte vermelha.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
A morte
Morreu. Ninguém sabe para onde pode ter ido, se céu, inferno ou algo que o valha. Mas foi, foi assim de repente. Num dia estava bem, bebendo com os amigos depois do trabalho, no outro dia, nem acordou, ou “acordou morto”, muito chato.
No funeral os mais próximos choravam, questionavam a brevidade da vida, sem perceber que eles, figurinhas com data de validade expirada, já deveriam ter dado adeus à existência se a vida fosse tão breve quanto diziam.
Uns choravam mais e outros só se faziam presentes por gentileza. Quem não conhece o morto pode até achar meio exagerado o misto de lágrimas e auto-piedade que surgem nos velórios, enterros e afins. Assim é a vida, não? E olhando bem o sujeito no caixão, não parecia mesmo alguém muito notável, que vá fazer falta, pelo menos para mim – assim pensa quem não conhecia o que já partiu.
Morreu. E daí que deixou contas, que fez prestações, que tinha o nome sujo? E daí que traiu, embebedou-se, mentiu e adoeceu? E daí que sofreu, amou sem medida e fez mais inimigos do que amigos? E daí que atropelou um animalzinho logo que tirou a carta de motorista, e que por isso não conseguiu dormir durante dias? E daí que até o dia de sua morte, ainda não achava justa a surra que o pai lhe dera na adolescência? E daí que não se conformara com o grande amor perdido anos antes, ou que fumou mais baseados do que deveria ter fumado?
E daí que não plantou uma árvore, não escreveu um livro e não teve nenhum filho? – pelo menos até onde era de seu conhecimento.
Morreu. Nada mais importava. A promoção do emprego, a consulta médica marcada, a final do campeonato, a comida dos peixes, a visita aos pais... Tudo planejado, tudo certo. Nada importava.
As roupas na lavanderia, o novo tênis de corrida, a troca das pastilhas de freio, a grande viagem de aniversário, os filmes para devolver à locadora... Tudo por fazer. Nada importava.
As guerras pelo mundo, as catástrofes naturais, os animais em extinção, a nanotecnologia e a existência de Deus... A oposição ou o partido de situação? Tudo por refletir, agir, entender, mudar. Nada importava.
As pazes com os desafetos, as palavras de ira, de alento, de amor e desabafo que deveria dizer a tantas pessoas... Perderam-se no corpo que feneceu, falhou, encerrou atividades e deixou tudo bagunçado.
Um morto não deixa só saudades e tristeza para quem fica. O morto também deixa medos, remorso, pavor de que você tenha seu pézinho puxado na madrugada fria por aquele fantasma que agora que morreu, sabe tudo o que você pensava sobre ele. Pior! Sabe tudo o que você fez para ele! Caso de vingança póstuma na certa!
Pessoas mortas também deixam dívidas e dúvidas, sim, porque a pessoa morre, mas a dívida permanece, portanto pense duas vezes no discurso suicida “estou fazendo isso pela minha família”, porque a sua família pode ter que pagar as suas contas, e isso não é legal. Dúvidas, porque se quando a pessoa morreu vocês estavam brigados, você nunca saberá se aquela pessoa te odiava de verdade ou só da boca para fora, mas agora isso não importa porque você reza para elas todos os dias antes de dormir, e assim, tenta se redimir de alguma maneira.
A morte não é só uma passagem transcendental para debaixo da terra ou para outra dimensão, isso no caso do morto; a morte é também mudança profunda, ou nem tanto, para quem aqui permanece, e nem precisa ser de alguém que conhecia efetivamente o falecido.
Se o falecido era funcionário público, por exemplo, e uma pessoa bem viva e concurseira já estava rezando pela morte de alguém do setor em que ela deveria ser chamada pra trabalhar... Bingo! Essa pessoa se beneficia da morte. Mudança profunda na vida dela, porque o concurso estava em vias de expirar, e agora ela pode respirar aliviada porque mamar nas tetas do governo e ainda ter plano de saúde é muita sorte!
Pode ser também uma herança, o que não subentende apenas dinheiro, que pode trazer boas mudanças profundas, ou boas dores de cabeça judiciais tão profundas quanto o oceano. Quando morre alguém dentro da nossa casa, se é alguém realmente muito próximo, queremos ficar com tudo o que era dela, mas depois a gente percebe que a quinquilharia toda começa a cheirar à morte, daí ninguém mais quer nada, excetuando-se jóias, dólares, quadros e arte, em geral, de valor significativo no mercado.
A pessoa que morre, não pode cobrar mais nada, de mais ninguém. Nem satisfação, nem discrição, nem amizade, nem dívidas, nem amor, nem respeito. Acabou para ela. Fim da linha. C’est fini. Não importa quanto tempo ela tenha passado no leito de um hospital, naquele “vai não vai” para o além, porque quando ela vai de fato, nossa! É chocante, arrepiante, tocante, marcante, mas não é crocante e gostoso como um pacote de Dorito’s.
Não sei se morrer dói, fisicamente falando, independente de machucados e traumas, mas para quem fica, a morte de quem nos importa dói. Tudo para, sangra imensamente, parece que nunca vai fechar, formar ferida, aquela casquinha fina, que com qualquer coisa faz a crosta abrir de novo e sangrar mais um pouco. Antes de cicatrizar por completo, quando a ferida abre novamente, já não sai mais tanto sangue “vivo”, sai mais plasma, aquela aguinha, sabe? Que não deixa mais você tão apavorado consigo mesmo de ver uma chaga exposta, para que qualquer um a enxergue.
Morrer é coisa séria. Coisa que dói, lacera, deixa a dor fantasma do membro que não existe mais, morrer é tão sério, que a gente só tem chance de morrer uma vez nessa vida! E antes que a morte chegue até nós, prematura ou já vindo com alguns anos de atraso, que aproveitemos melhor nossas pequenas conquistas, vinganças, contas, sofrimentozinhos baratos que temos e que não têm qualquer peso diante da morte.
Nem amor, nem dinheiro, nem desejo, nem amizade. Nada sobrevive a ela, que é a única certeza, que é o clichê que mais gosto de usar, e tirando todo o sofrimento que todos sabemos que ela causa, mas que não deveria, adoro fazer graça dela.
No funeral os mais próximos choravam, questionavam a brevidade da vida, sem perceber que eles, figurinhas com data de validade expirada, já deveriam ter dado adeus à existência se a vida fosse tão breve quanto diziam.
Uns choravam mais e outros só se faziam presentes por gentileza. Quem não conhece o morto pode até achar meio exagerado o misto de lágrimas e auto-piedade que surgem nos velórios, enterros e afins. Assim é a vida, não? E olhando bem o sujeito no caixão, não parecia mesmo alguém muito notável, que vá fazer falta, pelo menos para mim – assim pensa quem não conhecia o que já partiu.
Morreu. E daí que deixou contas, que fez prestações, que tinha o nome sujo? E daí que traiu, embebedou-se, mentiu e adoeceu? E daí que sofreu, amou sem medida e fez mais inimigos do que amigos? E daí que atropelou um animalzinho logo que tirou a carta de motorista, e que por isso não conseguiu dormir durante dias? E daí que até o dia de sua morte, ainda não achava justa a surra que o pai lhe dera na adolescência? E daí que não se conformara com o grande amor perdido anos antes, ou que fumou mais baseados do que deveria ter fumado?
E daí que não plantou uma árvore, não escreveu um livro e não teve nenhum filho? – pelo menos até onde era de seu conhecimento.
Morreu. Nada mais importava. A promoção do emprego, a consulta médica marcada, a final do campeonato, a comida dos peixes, a visita aos pais... Tudo planejado, tudo certo. Nada importava.
As roupas na lavanderia, o novo tênis de corrida, a troca das pastilhas de freio, a grande viagem de aniversário, os filmes para devolver à locadora... Tudo por fazer. Nada importava.
As guerras pelo mundo, as catástrofes naturais, os animais em extinção, a nanotecnologia e a existência de Deus... A oposição ou o partido de situação? Tudo por refletir, agir, entender, mudar. Nada importava.
As pazes com os desafetos, as palavras de ira, de alento, de amor e desabafo que deveria dizer a tantas pessoas... Perderam-se no corpo que feneceu, falhou, encerrou atividades e deixou tudo bagunçado.
Um morto não deixa só saudades e tristeza para quem fica. O morto também deixa medos, remorso, pavor de que você tenha seu pézinho puxado na madrugada fria por aquele fantasma que agora que morreu, sabe tudo o que você pensava sobre ele. Pior! Sabe tudo o que você fez para ele! Caso de vingança póstuma na certa!
Pessoas mortas também deixam dívidas e dúvidas, sim, porque a pessoa morre, mas a dívida permanece, portanto pense duas vezes no discurso suicida “estou fazendo isso pela minha família”, porque a sua família pode ter que pagar as suas contas, e isso não é legal. Dúvidas, porque se quando a pessoa morreu vocês estavam brigados, você nunca saberá se aquela pessoa te odiava de verdade ou só da boca para fora, mas agora isso não importa porque você reza para elas todos os dias antes de dormir, e assim, tenta se redimir de alguma maneira.
A morte não é só uma passagem transcendental para debaixo da terra ou para outra dimensão, isso no caso do morto; a morte é também mudança profunda, ou nem tanto, para quem aqui permanece, e nem precisa ser de alguém que conhecia efetivamente o falecido.
Se o falecido era funcionário público, por exemplo, e uma pessoa bem viva e concurseira já estava rezando pela morte de alguém do setor em que ela deveria ser chamada pra trabalhar... Bingo! Essa pessoa se beneficia da morte. Mudança profunda na vida dela, porque o concurso estava em vias de expirar, e agora ela pode respirar aliviada porque mamar nas tetas do governo e ainda ter plano de saúde é muita sorte!
Pode ser também uma herança, o que não subentende apenas dinheiro, que pode trazer boas mudanças profundas, ou boas dores de cabeça judiciais tão profundas quanto o oceano. Quando morre alguém dentro da nossa casa, se é alguém realmente muito próximo, queremos ficar com tudo o que era dela, mas depois a gente percebe que a quinquilharia toda começa a cheirar à morte, daí ninguém mais quer nada, excetuando-se jóias, dólares, quadros e arte, em geral, de valor significativo no mercado.
A pessoa que morre, não pode cobrar mais nada, de mais ninguém. Nem satisfação, nem discrição, nem amizade, nem dívidas, nem amor, nem respeito. Acabou para ela. Fim da linha. C’est fini. Não importa quanto tempo ela tenha passado no leito de um hospital, naquele “vai não vai” para o além, porque quando ela vai de fato, nossa! É chocante, arrepiante, tocante, marcante, mas não é crocante e gostoso como um pacote de Dorito’s.
Não sei se morrer dói, fisicamente falando, independente de machucados e traumas, mas para quem fica, a morte de quem nos importa dói. Tudo para, sangra imensamente, parece que nunca vai fechar, formar ferida, aquela casquinha fina, que com qualquer coisa faz a crosta abrir de novo e sangrar mais um pouco. Antes de cicatrizar por completo, quando a ferida abre novamente, já não sai mais tanto sangue “vivo”, sai mais plasma, aquela aguinha, sabe? Que não deixa mais você tão apavorado consigo mesmo de ver uma chaga exposta, para que qualquer um a enxergue.
Morrer é coisa séria. Coisa que dói, lacera, deixa a dor fantasma do membro que não existe mais, morrer é tão sério, que a gente só tem chance de morrer uma vez nessa vida! E antes que a morte chegue até nós, prematura ou já vindo com alguns anos de atraso, que aproveitemos melhor nossas pequenas conquistas, vinganças, contas, sofrimentozinhos baratos que temos e que não têm qualquer peso diante da morte.
Nem amor, nem dinheiro, nem desejo, nem amizade. Nada sobrevive a ela, que é a única certeza, que é o clichê que mais gosto de usar, e tirando todo o sofrimento que todos sabemos que ela causa, mas que não deveria, adoro fazer graça dela.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Adoro
Adoro minhas pintas, minha altura e meus seios caídos, como recompensa por amamentar durante um ano e meio uma linda menina; aceito a não-harmonia que existe no todo, porque ela me faz única; gosto dos meus pés magros, dos meus dedos longos, do meu nariz adunco, e dos cabelos bonitos de vez em quando; adoro a assimetria dos meus membros e o fato de eu ser sinistra; adoro as veias que tornam meu corpo grande um mapa com muitos caminhos; adoro minhas muitas cicatrizes, porque me lembram o que já fiz e por onde passei até chegar aqui; adoro a cor da minha pele e o formato dos meus olhos; adoro o estalar dos meus ossos quando ando ou me espreguiço; adoro meus dentes separados e minhas largas ancas; adoro minhas orelhas frias e minha boca costurada; adoro ser um abraço macio e um aperto de mão forte; adoro os pulsos finos e adoro também saber que nenhuma das minhas unhas é igual, ou ainda que meu nariz é torto. Adoro o rubor das minhas faces e a curvatura dos meus cílios; adoro o arquear da minha sobrancelha direita; adoro minha risada extravagante, meu colo e meu olhar.
A beleza está nos olhos de quem vê.
A beleza está nos olhos de quem vê.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Na rua, por aí, na vida
Acordei com um guardinha me cutucando com o cacetete, ele batia de leve nas minhas costas e dizia: “Vai andando, vagabundo! Lugar de mendigo não é aqui!”. Eu nem olhei pra ele, porque sabe como é, “vagabundo” não tem muita voz, mas eu já fui gente, feito vocês; já tive trabalho, mulher, família...
Às vezes a vida da gente toma um rumo que ninguém sabe porque tomou, e nem culpo Deus porque não foi ele que me deu a bebida na mão. Bebida é uma coisa séria... Lembro que quando eu trabalhava, não ganhava muito, mas pra cachacinha eu sempre tinha um trocado, e quando não tinha, nem esquentava que os amigos da birita pagavam pra mim num dia, e eu pagava pra eles noutro.
O bar ficava perto do trabalho, que não ficava muito longe de casa. De vez em quando a mulher aparecia lá e me enchia de cascudos na frente de todo mundo. Eu amava ela demais, daí nem fazia nada, nunca relei um dedo nela! Deus é testemunha! Mas ela perdeu pra branquinha... que não me dava cascudo, e fazia eu esquecer da vida de merda que eu levava.
A bebida me fez perder o emprego, a mulher, os amigos tudo foram-se embora. O pessoal gosta de cachaceiro que faz social, só no fim de semana, e comigo era todo dia! Toda hora... não tem que agüente isso, mas eu só descobri depois que tinha perdido tudo.
Me afundei de vez quando ela me botou pra fora. Minha finada mãezinha não podia me ajudar; meu pai tava num asilo, porque meus irmãos jogaram ele lá, e se eles jogaram meu pai num asilo, imagina se eles iam pelo menos se dar o trabalho de fazer a mesma coisa comigo?
Filho eu não tive, e agradeço. Viver não é fácil, inda mais com vício, inda mais sem um horizonte pra apreciar... eu não ia querer envergonhar meu filho do jeito que eu me envergonho sozinho. Viver na rua é ainda mais difícil do que só viver. A gente acostuma a pedir esmola, e a gastar o que ganha com cachaça, mas pelo menos eu não uso nada de droga ruim.
A gente aprende a não ligar pra higiene, a mijar em qualquer canto, a pedir banheiro pra lavar o rosto e tomar um banho de gato; a gente aprende a viver só com uma roupa; a dormir no relento, no banco de uma praça, se cobrindo com papelão... daí é que a gente vai ficando invisível pra todo mundo, e com isso a gente não acostuma! Eu sei que eu fedo, mas eu continuo existindo, meu fedor prova isso! Não adianta fechar o vidro do carro ou passar reto na rua, porque eu continuo existindo, e marcando meu território onde eu posso, porque a rua não é de ninguém.
Na rua não tem camaradagem, não! Tem os pilantras que ficam tentando roubar você. Só tive um amigo na rua, o Mequetrefe, era um cachorro que fedia tanto quanto eu, acho que por isso ele veio atrás de mim, uma vez que eu tava passando perto do mercado público, nunca mais a gente se largou. Aquele era amigo! Passava fome junto comigo, e por isso, às vezes eu não tomava uma pra dar uma comida qualquer pra ele. A gente dividia lanche de padaria, resto de comida de restaurante, até lixo a gente comia quando a coisa apertava.
No dia que ele morreu... (pausa)... no dia que ele foi atropelado por um caminhão... (pausa)... eu chorei muito! Ele tava andando no cantinho da rua, mas o caminhão não teve pena! Deu nele, passou por cima do bichinho, ele nem viu nada! Foi direto pro paraíso dos animais, e eu espero que ele teja bem feliz lá, do mesmo jeito que eu espero ir pra lá logo, porque aqui, nós dois somos invisível.
Mas eu acho que eu vou pro inferno, já que eu sou bêbado, vagabundo, larguei a vida boa que Deus tinha me dado, e nunca mais quis voltar pra ela por causa da cachaça... Nem sei se é desculpa minha de medo de olhar pra trás... Começar tudo de novo dá muito trabalho... e a cachaça é tão boa...
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
O amigo mais perigoso
Quando fomos apresentados pela primeira vez, ele nem era de verdade. Era um cilindro de madeira, coberto com um papel que imitava um cigarro, daqueles com filtro cor de caramelo. Não lembro como apareceu na nossa casa, nem como, tempos depois, ele sumiu, mas a primeira vez que peguei um cigarro, esse, que era de mentira, eu devia ter uns cinco anos.
Eu o levava no microônibus da escola, e o exibia para a minha coleguinha de poltrona, como se o fumasse de verdade, achava o máximo!
Essa é a primeira lembrança que eu tenho sobre cigarros, e sobre o fascínio que eles começaram a exercer sobre mim, e, imagino que sobre muitos dos que fumam hoje.
O curioso é que minha mãe nunca fumou, e meu pai, que eu saiba, fumava, mas depois que eu nasci, ele largara o vício sem recaídas. Não creio que cigarros tenham muito a ver com educação e exemplo, mas com o status que ele pode proporcionar, pelo menos no início, porque depois a relação fica tão íntima, que você e ele tornam-se inseparáveis, e o cigarro vira uma muleta para uma pessoa que não tem qualquer deficiência.
Mais tarde, ainda na infância, com uns dez anos, talvez um pouco mais ou um pouco menos, eu pegava folhas de caderno, dobrava-as, colava suas pontas e queimava-as, como se fosse cigarros acesos. Fazia, então, uns cinco cigarrinhos e fingia fumar na frente do espelho. Nas encenações, sozinha, com meu “cigarro” na mão, eu era sempre mais velha, e geralmente eu era um personagem com problemas emocionais, que fumava sob o pretexto de alguma grande preocupação com alguém que não existia. O cigarro era um elemento de glamour, que me tornava uma mulher mais interessante, mais misteriosa... Isso numa cabecinha de 10 anos.
Quando estava perto de fazer doze anos, uma tia minha que fumava, e que por isso, eu a achava super sofisticada, nos visitou, ficando uns dias conosco, e claro que ela fumava na nossa casa. Quando minha mãe e ela saíam, eu pegava as baganas de cigarro que ficavam no cinzeiro, as acendia, e fumava o filtro, então! Pois não sobrava mais do que meio centímetro de fumo naquilo, e essa provavelmente foi minha primeira experiência com cigarros, ou com o filtro deles.
Com quatorze anos, quando eu ia às boates, eu fumava também. Só por esporte, só para ajudar a manter o ambiente da casa noturna com a névoa típica advinda de gelo seco e cigarros. Era só aos finais de semana, e mesmo assim, muito de vez em quando, porque não era em toda festa de boate que eu podia ir com quatorze anos. Eu fumava porque achava legal, eu sequer sabia tragar... Guardava a fumaça na boca e soltava, era esse o processo.
Aprendi a fumar de fato aos dezesseis anos. Aprendi a tragar, beber, fumar maconha de vez em quando, e aprendi também um monte de coisas – merdas – que a gente faz quando quer fazer parte de um grupo, ser aceito, admirado. Hoje eu sei que o cigarro passava a impressão de que eu era descolada, “prafrentex”, sem limites, sem regras, e afinal, era isso que eu queria que pensassem de mim, e eu consegui.
Hoje eu não faço mais as merdas que fazia na adolescência, mas o meu cigarro ficou, continuou comigo, o cigarro me acalmou inúmeras vezes, fez eu me sentir mais confiante, mais interessante, mais tranqüila. Em resumo, eu pude contar com o cigarro quando eu estava totalmente sozinha, ele me era um alívio, e nunca reclamou de nada.
Fumo mais agora do que no início derradeiro, mas fumo muito menos que bastante gente. Sei que fumar é uma merda, que no fim das contas as únicas coisas que você ganha, além do apelido de chaminé, é um bafão, e roupas e cabelos com cheiro de boate durante a semana inteira, e não só nos finais dela, mas acredito que a culpa não seja do cigarro, e sim nossa, porque somos nós que os fumamos, e não o contrário.
Fumar não é atitude mais esperta que uma pessoa pode ter, isso é certo. Mas é certo também que é uma escolha, assim como todas as outras que fazemos na vida, e como as outras, fumar traz conseqüências. Enfim, continuo fumando, e mesmo sabendo que não é o melhor caminho, odeio gente que vem desfiar sermão sobre quem fuma.
Esse papo de fumante passivo, não polua o ar que eu respiro... Vão todos à merda!
Eu tenho asma, fumo desde os dezesseis anos e estou aí. Não estou dizendo isso como forma de me vangloriar, mas sim de mostrar que eu sei dos riscos, e sei há bastante tempo, e resolvi assumi-los, e isso não é da conta de ninguém. Então, se alguém vier falar sobre coisas que meus pulmões já estão pretos de saber... Caia fora!
Cada um na sua... Tem gente que trepa, tem gente que fuma, tem gente que come, tem gente que chora, tem gente que dorme, tem gente que finge, tem gente que bebe, tem gente que cheira... E tem gente que faz tudo isso ao mesmo, mas não necessariamente na mesma ordem. Tem gente que faz e finge que não faz... E isso é bem pior do que fazer e deixar que todo mundo fique sabendo...
Espero que a minha história sobre o cigarro tenha inspirado os adolescentes a começarem no vício o quanto antes... huauhuahuahua... Brincadeira!
Espero que cada um saiba o que faz, e que de preferência escolha para si o que for melhor, e não acho que o cigarro esteja na lista das boas opções, assim como fazer “merda”, porque fazer “merda” é de uma generalidade que se você fizer muitas, vai lembrar-se delas para sempre!
Chega de sábios conselhos da tia fumante que engravidou com dezoito anos.
Bai bai...
Eu o levava no microônibus da escola, e o exibia para a minha coleguinha de poltrona, como se o fumasse de verdade, achava o máximo!
Essa é a primeira lembrança que eu tenho sobre cigarros, e sobre o fascínio que eles começaram a exercer sobre mim, e, imagino que sobre muitos dos que fumam hoje.
O curioso é que minha mãe nunca fumou, e meu pai, que eu saiba, fumava, mas depois que eu nasci, ele largara o vício sem recaídas. Não creio que cigarros tenham muito a ver com educação e exemplo, mas com o status que ele pode proporcionar, pelo menos no início, porque depois a relação fica tão íntima, que você e ele tornam-se inseparáveis, e o cigarro vira uma muleta para uma pessoa que não tem qualquer deficiência.
Mais tarde, ainda na infância, com uns dez anos, talvez um pouco mais ou um pouco menos, eu pegava folhas de caderno, dobrava-as, colava suas pontas e queimava-as, como se fosse cigarros acesos. Fazia, então, uns cinco cigarrinhos e fingia fumar na frente do espelho. Nas encenações, sozinha, com meu “cigarro” na mão, eu era sempre mais velha, e geralmente eu era um personagem com problemas emocionais, que fumava sob o pretexto de alguma grande preocupação com alguém que não existia. O cigarro era um elemento de glamour, que me tornava uma mulher mais interessante, mais misteriosa... Isso numa cabecinha de 10 anos.
Quando estava perto de fazer doze anos, uma tia minha que fumava, e que por isso, eu a achava super sofisticada, nos visitou, ficando uns dias conosco, e claro que ela fumava na nossa casa. Quando minha mãe e ela saíam, eu pegava as baganas de cigarro que ficavam no cinzeiro, as acendia, e fumava o filtro, então! Pois não sobrava mais do que meio centímetro de fumo naquilo, e essa provavelmente foi minha primeira experiência com cigarros, ou com o filtro deles.
Com quatorze anos, quando eu ia às boates, eu fumava também. Só por esporte, só para ajudar a manter o ambiente da casa noturna com a névoa típica advinda de gelo seco e cigarros. Era só aos finais de semana, e mesmo assim, muito de vez em quando, porque não era em toda festa de boate que eu podia ir com quatorze anos. Eu fumava porque achava legal, eu sequer sabia tragar... Guardava a fumaça na boca e soltava, era esse o processo.
Aprendi a fumar de fato aos dezesseis anos. Aprendi a tragar, beber, fumar maconha de vez em quando, e aprendi também um monte de coisas – merdas – que a gente faz quando quer fazer parte de um grupo, ser aceito, admirado. Hoje eu sei que o cigarro passava a impressão de que eu era descolada, “prafrentex”, sem limites, sem regras, e afinal, era isso que eu queria que pensassem de mim, e eu consegui.
Hoje eu não faço mais as merdas que fazia na adolescência, mas o meu cigarro ficou, continuou comigo, o cigarro me acalmou inúmeras vezes, fez eu me sentir mais confiante, mais interessante, mais tranqüila. Em resumo, eu pude contar com o cigarro quando eu estava totalmente sozinha, ele me era um alívio, e nunca reclamou de nada.
Fumo mais agora do que no início derradeiro, mas fumo muito menos que bastante gente. Sei que fumar é uma merda, que no fim das contas as únicas coisas que você ganha, além do apelido de chaminé, é um bafão, e roupas e cabelos com cheiro de boate durante a semana inteira, e não só nos finais dela, mas acredito que a culpa não seja do cigarro, e sim nossa, porque somos nós que os fumamos, e não o contrário.
Fumar não é atitude mais esperta que uma pessoa pode ter, isso é certo. Mas é certo também que é uma escolha, assim como todas as outras que fazemos na vida, e como as outras, fumar traz conseqüências. Enfim, continuo fumando, e mesmo sabendo que não é o melhor caminho, odeio gente que vem desfiar sermão sobre quem fuma.
Esse papo de fumante passivo, não polua o ar que eu respiro... Vão todos à merda!
Eu tenho asma, fumo desde os dezesseis anos e estou aí. Não estou dizendo isso como forma de me vangloriar, mas sim de mostrar que eu sei dos riscos, e sei há bastante tempo, e resolvi assumi-los, e isso não é da conta de ninguém. Então, se alguém vier falar sobre coisas que meus pulmões já estão pretos de saber... Caia fora!
Cada um na sua... Tem gente que trepa, tem gente que fuma, tem gente que come, tem gente que chora, tem gente que dorme, tem gente que finge, tem gente que bebe, tem gente que cheira... E tem gente que faz tudo isso ao mesmo, mas não necessariamente na mesma ordem. Tem gente que faz e finge que não faz... E isso é bem pior do que fazer e deixar que todo mundo fique sabendo...
Espero que a minha história sobre o cigarro tenha inspirado os adolescentes a começarem no vício o quanto antes... huauhuahuahua... Brincadeira!
Espero que cada um saiba o que faz, e que de preferência escolha para si o que for melhor, e não acho que o cigarro esteja na lista das boas opções, assim como fazer “merda”, porque fazer “merda” é de uma generalidade que se você fizer muitas, vai lembrar-se delas para sempre!
Chega de sábios conselhos da tia fumante que engravidou com dezoito anos.
Bai bai...
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
quarta-feira, 15 de julho de 2009
férias?
Acabando de arrumar as coisas para ir para o sítio do Calo e da Adri.
Cinco dias de muita agitação e loucuras em Varginha - aham, que vê, pensa - tah, não haverá loucuras, só o culto à natureza, muita comida, muita vadiagem e vídeos engraçados provavelmente.
Domingo eu volto, para daí ficar maluca com a semana da colação e do aniversário... tô ansiosa porque nunca tinha feito uma festa festa festa, e mesmo sabendo que não vai ser A festa, vai ser muito mais do que eu já fiz em qualquer tempo...
E as pessoas que eu gosto e que são importantes para mim estarão lá, e é isso que me deixa mais feliz! Espero que todo mundo se divirta h-o-r-r-o-r-e-s!!!
É isso, vou acabar de guardar bagulhinhos aleatórios em malinhas...
Para quem fica: até a volta!
Cinco dias de muita agitação e loucuras em Varginha - aham, que vê, pensa - tah, não haverá loucuras, só o culto à natureza, muita comida, muita vadiagem e vídeos engraçados provavelmente.
Domingo eu volto, para daí ficar maluca com a semana da colação e do aniversário... tô ansiosa porque nunca tinha feito uma festa festa festa, e mesmo sabendo que não vai ser A festa, vai ser muito mais do que eu já fiz em qualquer tempo...
E as pessoas que eu gosto e que são importantes para mim estarão lá, e é isso que me deixa mais feliz! Espero que todo mundo se divirta h-o-r-r-o-r-e-s!!!
É isso, vou acabar de guardar bagulhinhos aleatórios em malinhas...
Para quem fica: até a volta!
sexta-feira, 10 de julho de 2009
=DDD
A cada dia um pouco mais perto, meu dia!
Vou fazer 25 anos, e penso que sou nova, mas ao mesmo tempo não sou mais uma adolescentezinha, sou uma jovem adulta, com responsabilidades de adulto maduro, hehe, e isso é meio ruim porque tenho a impressão de que quanto mais crescemos, menos podemos mostrar quem realmente somos.
Temos que ter mais maneiras, mais trato com os outros, menos explosões, mais paciência, mais seriedade... isso é um saco! Ser adulto parece querer dizer: não seja espontâneo, não sorria para desconhecidos, não arrote em público, seja educado, demonstre força e responsabilidade, bla bla bla...
Tão bom ser criança!
Mas tudo bem, vamos seguindo porque cada minuto a mais é um minuto a menos...
Feliz porque está praticamente certo que minha colação de grau será no dia do meu aniversário, e isso deve querer dizer alguma coisa boa!
Feliz porque no 2° semestre, passo pra outro nível do meu inglês, tendo ontem, na prova oral recebido elogios do professor, segundo ele eu falo bem, perguntou até se eu estava no livro certo, hehe, fiquei me achando, sem modéstia!
Enfim, feliz!
Vou fazer 25 anos, e penso que sou nova, mas ao mesmo tempo não sou mais uma adolescentezinha, sou uma jovem adulta, com responsabilidades de adulto maduro, hehe, e isso é meio ruim porque tenho a impressão de que quanto mais crescemos, menos podemos mostrar quem realmente somos.
Temos que ter mais maneiras, mais trato com os outros, menos explosões, mais paciência, mais seriedade... isso é um saco! Ser adulto parece querer dizer: não seja espontâneo, não sorria para desconhecidos, não arrote em público, seja educado, demonstre força e responsabilidade, bla bla bla...
Tão bom ser criança!
Mas tudo bem, vamos seguindo porque cada minuto a mais é um minuto a menos...
Feliz porque está praticamente certo que minha colação de grau será no dia do meu aniversário, e isso deve querer dizer alguma coisa boa!
Feliz porque no 2° semestre, passo pra outro nível do meu inglês, tendo ontem, na prova oral recebido elogios do professor, segundo ele eu falo bem, perguntou até se eu estava no livro certo, hehe, fiquei me achando, sem modéstia!
Enfim, feliz!
domingo, 5 de julho de 2009
Medo do bicho-papão?
Eu sempre gostei de filmes de terror, e em grande parte influenciada pelo meu irmão, Felipe. Os filmes de terror sempre exerceram um fascínio enorme sobre mim. O medo que causam, a náusea, o horror. A morte está sempre tão perto, e fazendo parte do ciclo da vida é triste que a vejamos como um fim, como a prova cabal de que somos frágeis e finitos, de que vamos acabar algum dia. Sentir-se vivo, é pra isso que existem os filmes de terror? Para que nos sintamos vivos, para ver que poderíamos ser os próximos, para mostrar o quão doentia pode ser a mente humana, e o quanto de dor ela é capaz de infligir?
Ok, tirando a parte mais drástica e subjetiva, eu nem lembro quando comecei a ver filmes de terror, mas é provável que o primeiro tenha sido Hellraiser, eu tinha 5 ou 6 anos, meu irmão tinha 4 anos a mais que eu, e adorava essas coisas. Eu assisti o filme de gaiata na história, e apesar de hoje, já tê-lo assistido inúmeras vezes, a cena de que me lembro na época, é a do personagem Frank voltando do inferno, sem pele, com todos os músculos e veias à mostra, isso pode ser realmente traumatizante para uma criança, e por um tempo, certamente, foi.
Depois disso, vieram os filmes do Brinquedo Assassino, que me deixavam de cabelos em pé! Ops, acabo de lembrar que antes de Hellraiser, Freddy Krueger já me assombrava, pois assistíamos a sua série no Cinema em Casa, que muito antigamente passava à noite. Eu tinha tanto medo das garras de aço, que sempre que ia sair da cama, não colocava os pés diretamente no chão, eu pulava da cama para o chão, a uma distância relativamente segura, que garantisse que o Freddy não me puxaria para debaixo da cama.
Durante o dia, conseguia olhar olhar debaixo dela, e ver que não havia nada ali, mas à noite, tudo mudava. Eu tinha medo de ficar sozinha no escuro, mas não era um medo histérico, eu não gritava, pelo menos não para fora, mas por dentro milhões de coisinhas sinistras passavam pela minha cabeça, avisando que alguma coisa estranha aconteceria no próximo minuto, mas depois que a vista se acostumava ao breu, e sempre havia uma claridade que me deixava enxergar os contornos dos móveis, eu me aquietava.
Já vi incontáveis filmes de horror, desde os mais "trash" como Palhaços Assassinos do Espaço Sideral, que é um clássico desse gênero até o mais horripilante ever, sem comparações, O Exorcista, que eu também assisti pela primeira vez ainda muito nova, mas que até hoje me causa repulsa e medo, por todo o contexto. Quer dizer, já o assisti umas vinte vezes, já vi seu making of, já assisti a todas as continuações, conheço-o de cabo a rabo, e mesmo assim, de alguma forma ele me apavora, e por isso tenho enorme respeito por esse filme.
Hoje em dia, bem, hoje em dia é difícil eu assistir a algum filme que me apavore. Há bons filmes, com bons sustos, mas nada muito profundo.
É engraçado falar sobre isso enquanto estou sozinha, vou dormir sozinha... Acho que começo a exorcizar meus próprios demônios, porque é como minha mãe sempre disse: não devemos ter medo dos mortos, e sim, dos vivos. São pessoas de carne e osso as que podem nos fazer algum mal. Os mortos descansam, ou não.
Ok, tirando a parte mais drástica e subjetiva, eu nem lembro quando comecei a ver filmes de terror, mas é provável que o primeiro tenha sido Hellraiser, eu tinha 5 ou 6 anos, meu irmão tinha 4 anos a mais que eu, e adorava essas coisas. Eu assisti o filme de gaiata na história, e apesar de hoje, já tê-lo assistido inúmeras vezes, a cena de que me lembro na época, é a do personagem Frank voltando do inferno, sem pele, com todos os músculos e veias à mostra, isso pode ser realmente traumatizante para uma criança, e por um tempo, certamente, foi.
Depois disso, vieram os filmes do Brinquedo Assassino, que me deixavam de cabelos em pé! Ops, acabo de lembrar que antes de Hellraiser, Freddy Krueger já me assombrava, pois assistíamos a sua série no Cinema em Casa, que muito antigamente passava à noite. Eu tinha tanto medo das garras de aço, que sempre que ia sair da cama, não colocava os pés diretamente no chão, eu pulava da cama para o chão, a uma distância relativamente segura, que garantisse que o Freddy não me puxaria para debaixo da cama.
Durante o dia, conseguia olhar olhar debaixo dela, e ver que não havia nada ali, mas à noite, tudo mudava. Eu tinha medo de ficar sozinha no escuro, mas não era um medo histérico, eu não gritava, pelo menos não para fora, mas por dentro milhões de coisinhas sinistras passavam pela minha cabeça, avisando que alguma coisa estranha aconteceria no próximo minuto, mas depois que a vista se acostumava ao breu, e sempre havia uma claridade que me deixava enxergar os contornos dos móveis, eu me aquietava.
Já vi incontáveis filmes de horror, desde os mais "trash" como Palhaços Assassinos do Espaço Sideral, que é um clássico desse gênero até o mais horripilante ever, sem comparações, O Exorcista, que eu também assisti pela primeira vez ainda muito nova, mas que até hoje me causa repulsa e medo, por todo o contexto. Quer dizer, já o assisti umas vinte vezes, já vi seu making of, já assisti a todas as continuações, conheço-o de cabo a rabo, e mesmo assim, de alguma forma ele me apavora, e por isso tenho enorme respeito por esse filme.
Hoje em dia, bem, hoje em dia é difícil eu assistir a algum filme que me apavore. Há bons filmes, com bons sustos, mas nada muito profundo.
É engraçado falar sobre isso enquanto estou sozinha, vou dormir sozinha... Acho que começo a exorcizar meus próprios demônios, porque é como minha mãe sempre disse: não devemos ter medo dos mortos, e sim, dos vivos. São pessoas de carne e osso as que podem nos fazer algum mal. Os mortos descansam, ou não.
sábado, 4 de julho de 2009
Talvez, o último depoimento
Nunca pensei que o rumo de minha vida mudaria tão de repente, e de maneira tão grotesca que nem sei dizer o quanto.
Precisava comprar papel higiênico. O último rolo acabara há pelo menos dois dias, mas evitando os supermercados, estávamos usando o rolo de guardanapos. Então naquele dia de sol repentino no inverno frio, resolvi ir até o mercado.
Entrei no carro, o mesmo CD tocava pela milhonésima vez, mas eu continuava a cantarolá-lo. Até aí, tudo bem. Pensava na vida enquanto dirigia o carro no "automático". Foi quando olhando para as pessoas que passavam pela rua, surgiu um homem de bermuda, segurava uma camisa vermelha no ombro, e andava desengonçado pela calçada, mas não era um desengonçado qualquer, ele andava de forma realmente sinistra, mas isso passou batido - pensei ser somente um bêbado caminhando numa manhã de sábado - até que o tal homem agarrou uma senhora que andava perto dele, e começou a mordê-la! O sangue começara a lhe escorrer do seio, e ela em pânico pedia ajuda. Outros transeuntes vendo a cena bizarra agarraram o homem que conseguiu se esquivar, apesar de sua magreza e aparente fragilidade corporal. O sujeito, então, mordeu igualmente os outros dois homens que tentavam, em vão, apartá-lo da pobre senhora. Era tanto o sangue que escorria e banhava a calçada de perdrinhas brancas, que fiquei realmente chocada!
Mas tudo acontecera muito rápido, isso aconteceu no instante de um sinal fechado, que quando abriu, eu só queria estar longe dali, mas minha curiosidade mórbida, fez com que eu desse a volta na quadra, e quando eu voltei à cena novamente, policiais que caminhavam por ali tentavam conter o homem. Ouvi o barulho de sirenes se aproximando... o homem fora algemado, mas a senhora agonizava no chão sem que muito pudesse ser feito por ela.
Quando a ambulância chegou, deram-na como morta, e os outros dois homens que também haviam sido mordidos pelo sujeito pareciam agressivos. Uma multidão formara-se em volta do circo de horrores. Enquanto moviam a velha numa maca, ela segurou com força o braço do socorrista, numa cena de filme de zumbis, e foi só então que eu percebi que era disso que se tratava tudo: zumbis!
A carnificina estava feita. Muitos gritavam, assustados, e sem entender o que se passava. Outros saíram correndo para não ter que ver como acabaria a história, e eu sou uma dessas pessoas.
Vim para casa, tranquei tudo e liguei a TV. Nos jornais disseram que a tal nova gripe parece sofrer uma mutação que deixa pessoas infectadas por ela violentas e sedentas por sangue e carne humana... e tudo isso aconteceu hoje, aqui no Kobrasol.
Consigo ouvir pessoas gritando pelas ruas, e sirenes incessantes a todo o momento. Sempre quis fazer parte de um filme de zumbis, mas não queria ser eu, um deles.
Estou com medo de sair de casa, mas assim que conseguir suprimentos, vou subir para o salão de festas, e esperar pelo pior. A todos que por ventura aqui aparecem, saibam que o apocalipse está aí na rua, acontecendo nesse exato momento, e eu nunca pensei que viveria para vê-lo.
Adeus...
Precisava comprar papel higiênico. O último rolo acabara há pelo menos dois dias, mas evitando os supermercados, estávamos usando o rolo de guardanapos. Então naquele dia de sol repentino no inverno frio, resolvi ir até o mercado.
Entrei no carro, o mesmo CD tocava pela milhonésima vez, mas eu continuava a cantarolá-lo. Até aí, tudo bem. Pensava na vida enquanto dirigia o carro no "automático". Foi quando olhando para as pessoas que passavam pela rua, surgiu um homem de bermuda, segurava uma camisa vermelha no ombro, e andava desengonçado pela calçada, mas não era um desengonçado qualquer, ele andava de forma realmente sinistra, mas isso passou batido - pensei ser somente um bêbado caminhando numa manhã de sábado - até que o tal homem agarrou uma senhora que andava perto dele, e começou a mordê-la! O sangue começara a lhe escorrer do seio, e ela em pânico pedia ajuda. Outros transeuntes vendo a cena bizarra agarraram o homem que conseguiu se esquivar, apesar de sua magreza e aparente fragilidade corporal. O sujeito, então, mordeu igualmente os outros dois homens que tentavam, em vão, apartá-lo da pobre senhora. Era tanto o sangue que escorria e banhava a calçada de perdrinhas brancas, que fiquei realmente chocada!
Mas tudo acontecera muito rápido, isso aconteceu no instante de um sinal fechado, que quando abriu, eu só queria estar longe dali, mas minha curiosidade mórbida, fez com que eu desse a volta na quadra, e quando eu voltei à cena novamente, policiais que caminhavam por ali tentavam conter o homem. Ouvi o barulho de sirenes se aproximando... o homem fora algemado, mas a senhora agonizava no chão sem que muito pudesse ser feito por ela.
Quando a ambulância chegou, deram-na como morta, e os outros dois homens que também haviam sido mordidos pelo sujeito pareciam agressivos. Uma multidão formara-se em volta do circo de horrores. Enquanto moviam a velha numa maca, ela segurou com força o braço do socorrista, numa cena de filme de zumbis, e foi só então que eu percebi que era disso que se tratava tudo: zumbis!
A carnificina estava feita. Muitos gritavam, assustados, e sem entender o que se passava. Outros saíram correndo para não ter que ver como acabaria a história, e eu sou uma dessas pessoas.
Vim para casa, tranquei tudo e liguei a TV. Nos jornais disseram que a tal nova gripe parece sofrer uma mutação que deixa pessoas infectadas por ela violentas e sedentas por sangue e carne humana... e tudo isso aconteceu hoje, aqui no Kobrasol.
Consigo ouvir pessoas gritando pelas ruas, e sirenes incessantes a todo o momento. Sempre quis fazer parte de um filme de zumbis, mas não queria ser eu, um deles.
Estou com medo de sair de casa, mas assim que conseguir suprimentos, vou subir para o salão de festas, e esperar pelo pior. A todos que por ventura aqui aparecem, saibam que o apocalipse está aí na rua, acontecendo nesse exato momento, e eu nunca pensei que viveria para vê-lo.
Adeus...
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Nostalgia
Ando nostálgica...
Quanto mais o tempo passa, mais procuro recordações que me lembram tempos felizes, diferentes... Não que os dias presentes sejam ruins, são de independência e aspirações, mas se acaso tivesse consciência da efemeridade dos momentos passados, talvez fossem eles mais aproveitados...
Ontem fez oito anos que meu pai morreu... numa segunda-feira à tarde eu soube, e ele já estava sendo enterrado. Quantas perdas a vida nos reserva? Com o tempo perdemos tudo, até mesmo as recordações...
Olho para uma de minhas únicas fotos quando pequena, vestido branco, de chapéu - eu adorava chapéus - e de sapatos vermelhos... ainda lembro de ser brava e voluntariosa já naquela época... meu rosto na foto é confuso, como a vida.
O que nos nos reserva o tempo? Cura de mágoas, de arrependimentos... Definitavamente crescemos com nossos erros, aperfeiçoamos nossas escolhas... Olhamos para trás e rimos ou choramos, ainda assim, vamos vivendo.
Além da nostalgia, a melancolia tem me acompanhado, o choro fácil, a emoção repentina... Tudo tem afetado o corpo que envelhece a cada dia... Orgulho das melhores coisas - Ana -, saudades das relações mais difíceis - com a minha mãe - ainda procurando o sentido do rumo que a vida toma... Saudades dos tempos em que todos éramos felizes, pelo menos momentaneamente, juntos, todos nós, juntos, mesmo aqueles que não fazem mais parte da vida atual porque quem em algum momento fez parte disso tudo, de toda a história, sabe que certas coisas ficam para sempre... ou talvez não...
O ombro amigo, o conselho dado e recebido, as conversas intermináveis, gargalhadas pela madrugada, cinzeiros repletos, ruas de cima, descobertas, desilusões, brigas e adolescência, choros e birras, escândalos e discussões, abraços e soluços, paciência, muita paciência...
Crescer de repente, ter alguém que depende inteiramente de você, que te cobra, que te irrita, mas que você ama infinitamente, e sempre chora quando vê que está crescendo...
Apesar de não saber quem eu sou, ainda, sei que tudo, tudo pelo que passei, com quem passei, como passei, quando passei, tudo isso me fez melhor... mas ainda há tanto chão, tanto caminho, tanto pelo que viver que me sinto cansada...
Cansada, mas a gente continua, para alguém que fez parte disso, a gente continua, de um jeito que talvez nunca saibamos, porque o impacto e a presença que temos nas vidas de algumas pessoas pode ser enorme e marcante, um pequeno momento, um gesto simples, algumas palavras fazem com que nos tornemos eternos para alguém...
O que aprendemos, o que ensinamos, mesmo que através de nossos erros, sempre há uma lição, uma ideia, uma intenção, pois não escrevemos apenas a nossa história, também fazemos parte da história de muitos... mesmo que um dia isso se perca, houve um momento em que pensávamos que duraria para sempre.
Quanto mais o tempo passa, mais procuro recordações que me lembram tempos felizes, diferentes... Não que os dias presentes sejam ruins, são de independência e aspirações, mas se acaso tivesse consciência da efemeridade dos momentos passados, talvez fossem eles mais aproveitados...
Ontem fez oito anos que meu pai morreu... numa segunda-feira à tarde eu soube, e ele já estava sendo enterrado. Quantas perdas a vida nos reserva? Com o tempo perdemos tudo, até mesmo as recordações...
Olho para uma de minhas únicas fotos quando pequena, vestido branco, de chapéu - eu adorava chapéus - e de sapatos vermelhos... ainda lembro de ser brava e voluntariosa já naquela época... meu rosto na foto é confuso, como a vida.
O que nos nos reserva o tempo? Cura de mágoas, de arrependimentos... Definitavamente crescemos com nossos erros, aperfeiçoamos nossas escolhas... Olhamos para trás e rimos ou choramos, ainda assim, vamos vivendo.
Além da nostalgia, a melancolia tem me acompanhado, o choro fácil, a emoção repentina... Tudo tem afetado o corpo que envelhece a cada dia... Orgulho das melhores coisas - Ana -, saudades das relações mais difíceis - com a minha mãe - ainda procurando o sentido do rumo que a vida toma... Saudades dos tempos em que todos éramos felizes, pelo menos momentaneamente, juntos, todos nós, juntos, mesmo aqueles que não fazem mais parte da vida atual porque quem em algum momento fez parte disso tudo, de toda a história, sabe que certas coisas ficam para sempre... ou talvez não...
O ombro amigo, o conselho dado e recebido, as conversas intermináveis, gargalhadas pela madrugada, cinzeiros repletos, ruas de cima, descobertas, desilusões, brigas e adolescência, choros e birras, escândalos e discussões, abraços e soluços, paciência, muita paciência...
Crescer de repente, ter alguém que depende inteiramente de você, que te cobra, que te irrita, mas que você ama infinitamente, e sempre chora quando vê que está crescendo...
Apesar de não saber quem eu sou, ainda, sei que tudo, tudo pelo que passei, com quem passei, como passei, quando passei, tudo isso me fez melhor... mas ainda há tanto chão, tanto caminho, tanto pelo que viver que me sinto cansada...
Cansada, mas a gente continua, para alguém que fez parte disso, a gente continua, de um jeito que talvez nunca saibamos, porque o impacto e a presença que temos nas vidas de algumas pessoas pode ser enorme e marcante, um pequeno momento, um gesto simples, algumas palavras fazem com que nos tornemos eternos para alguém...
O que aprendemos, o que ensinamos, mesmo que através de nossos erros, sempre há uma lição, uma ideia, uma intenção, pois não escrevemos apenas a nossa história, também fazemos parte da história de muitos... mesmo que um dia isso se perca, houve um momento em que pensávamos que duraria para sempre.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
final de temporada no seriado "a vida de Karla"
Nem acredito que amanhã é meu último dia na Unisul... último dia... depois de pouco mais de quatro anos, missão cumprida. Esse foi um dos "feitos" da minha vida, o fim de um ciclo se aproxima, e isso me deixa muito feliz!!!
Foram quatro anos de aprendizado, apesar de eu achar que ainda tenho muito³ a aprender, mas sempre dizem que a gente aprende mesmo é na prática.
Remanescentes da turma original: 5 alunos, de uma turma que no primeiro dia tinha cerca de 52...
Somos os espermatozóides que chegaram ao fim da corrida! Somos vencedores!!! =D
Amanhã, show do namorado na UFSC, praia do sonho, dois aniversários no fim de semana, sendo um deles o do meu companheiro de jornada, Cau.
Feliz... porque a vida segue, e a cada dia melhor!
Obrigada, Deus!
Foram quatro anos de aprendizado, apesar de eu achar que ainda tenho muito³ a aprender, mas sempre dizem que a gente aprende mesmo é na prática.
Remanescentes da turma original: 5 alunos, de uma turma que no primeiro dia tinha cerca de 52...
Somos os espermatozóides que chegaram ao fim da corrida! Somos vencedores!!! =D
Amanhã, show do namorado na UFSC, praia do sonho, dois aniversários no fim de semana, sendo um deles o do meu companheiro de jornada, Cau.
Feliz... porque a vida segue, e a cada dia melhor!
Obrigada, Deus!
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Revoltada, pra variar...
Muito puta com a má vontade dos autônomos... Que merda, além de gastar uma fortuna, você ainda tem que mendigar que eles te retornem uma simples ligação. Tudo é difícil, daí quando retornam, dizem que vão "amanhã", como se eu não tivesse nada pra fazer, e tivesse todo o tempo do mundo pra ficar esperando a boa vontade deles! Que ódio!
Além de puta com essa gente que não pensa que vive da clientela e a trata como lixo...
Muito puta também com a universidade de fundo de quintal aonde estou fazendo meus núcleos livres. Tudo bem que a Unisul é um lixo gigante, ao qual eu espero nunca mais precisar voltar, mas a Ana, minha filha, me acompanha nas aulas desde o segundo ano de curso, e nunca, nunca, nunca foi proibida de ficar comigo, ou qualquer coisa do gênero.
Ela está praticamente se formando junto comigo. Todos os professores a conhecem. Até o pessoal da lanchonete pergunta por ela quando ela não vai comigo, e essa universidadezinha vagabunda vem dizer que a Ana não pode ir comigo às aulas.
A professora, quando eu estava saindo hoje, perguntou se eu já tinha falado com o "pessoal lá da frente" sobre a Ana, porque ela não poderia estar vindo. Fui na secretaria, que fica na porta principal do "enorme" prédio e perguntei pra primeira mulher que eu vi: ô moça, a minha filha não pode ficar nas aulas?, daí ela respondeu: pras aulas, não..., daí eu disse: vou continuar trazendo ela, pois não tenho com quem deixá-la, e saí.
E fiquei pensando: a guria está indo pra aula há séculos, estou quase me formando, ela não incomoda, e chego numa bostinha dessas, que vai durar um mês, no qual eu mal verei qualquer uma daquelas pessoas... se não gostarem, que me tirem da sala, que me processem, que se fodam!
Além de puta com essa gente que não pensa que vive da clientela e a trata como lixo...
Muito puta também com a universidade de fundo de quintal aonde estou fazendo meus núcleos livres. Tudo bem que a Unisul é um lixo gigante, ao qual eu espero nunca mais precisar voltar, mas a Ana, minha filha, me acompanha nas aulas desde o segundo ano de curso, e nunca, nunca, nunca foi proibida de ficar comigo, ou qualquer coisa do gênero.
Ela está praticamente se formando junto comigo. Todos os professores a conhecem. Até o pessoal da lanchonete pergunta por ela quando ela não vai comigo, e essa universidadezinha vagabunda vem dizer que a Ana não pode ir comigo às aulas.
A professora, quando eu estava saindo hoje, perguntou se eu já tinha falado com o "pessoal lá da frente" sobre a Ana, porque ela não poderia estar vindo. Fui na secretaria, que fica na porta principal do "enorme" prédio e perguntei pra primeira mulher que eu vi: ô moça, a minha filha não pode ficar nas aulas?, daí ela respondeu: pras aulas, não..., daí eu disse: vou continuar trazendo ela, pois não tenho com quem deixá-la, e saí.
E fiquei pensando: a guria está indo pra aula há séculos, estou quase me formando, ela não incomoda, e chego numa bostinha dessas, que vai durar um mês, no qual eu mal verei qualquer uma daquelas pessoas... se não gostarem, que me tirem da sala, que me processem, que se fodam!
terça-feira, 5 de maio de 2009
mudando a todo momento
Ontem estava bem tristinha... pra baixo mesmo, com o nariz escorrendo e assado de tanto limpá-lo... com um sono gigante, pensando como seria hoje, nervosa, custei a dormir, e quem me conhece sabe que isso é praticamente impossível!
Acordei cedo, com o barulho dos saltos da vizinha do andar de cima... senti uma enorme vontade de matá-la, porque o sono finalmente estava gostoso.
Depois de hoje, confio a cada dia um pouquinho mais na justiça, contrariando o descrédito que eu costumava dar a ela, tudo se ajeitará, oh sim.
Depois do estágio, prova no CCAA, que corrigida na hora... e eu tiro 98! Oh, como eu sou exibida! Desculpe, mas no meu blog, não serei falsa modesta. Precisava de uma boa nota para massagear meu ego que anda abaixo do c* do cachorro.
Estou feliz!
Volta e meia me pergunto isso - se sou feliz - , e apesar de sentir que falta algo, e sempre faltará, estou de boa, de boa mesmo!
Mais um dia passou, falta menos um dia para eu me formar... se não me formar formalmente, hehehe, pelo menos para passar essa correria de estágios, núcleos, trabalhos, e encheções de saco com professores que eu espero nunca mais ter que cruzar na vida depois disso tudo acabar.
É, nem tudo são flores...
Orando e vigiando...
Hasta!
Acordei cedo, com o barulho dos saltos da vizinha do andar de cima... senti uma enorme vontade de matá-la, porque o sono finalmente estava gostoso.
Depois de hoje, confio a cada dia um pouquinho mais na justiça, contrariando o descrédito que eu costumava dar a ela, tudo se ajeitará, oh sim.
Depois do estágio, prova no CCAA, que corrigida na hora... e eu tiro 98! Oh, como eu sou exibida! Desculpe, mas no meu blog, não serei falsa modesta. Precisava de uma boa nota para massagear meu ego que anda abaixo do c* do cachorro.
Estou feliz!
Volta e meia me pergunto isso - se sou feliz - , e apesar de sentir que falta algo, e sempre faltará, estou de boa, de boa mesmo!
Mais um dia passou, falta menos um dia para eu me formar... se não me formar formalmente, hehehe, pelo menos para passar essa correria de estágios, núcleos, trabalhos, e encheções de saco com professores que eu espero nunca mais ter que cruzar na vida depois disso tudo acabar.
É, nem tudo são flores...
Orando e vigiando...
Hasta!
domingo, 12 de abril de 2009
A uma ausência
Sinto-me, sem sentir, todo abrasado
No rigoroso fogo que me alenta;
O mal que me consome me sustenta,
O bem que me entretém me dá cuidado.
Ando sem me mover, falo calado,
O que mais perto vejo se me ausenta,
E o que estou sem ver mais me atormenta;
Alegro-me de ver-me atormentado,
Choro no mesmo ponto em que me rio,
No mor risco me anima a confiança,
Do que menos se espera estou mais certo.
Mas, se de confiado desconfio,
É porque, entre os receios da mudança,
Ando perdido em mim mesmo como em deserto.
(Antônio Barbosa Bacelar)
sexta-feira, 27 de março de 2009
Por que as ruas são privadas de totós?
Acho literalmente uma merda, uma falta de respeito de quem tem seu lindo cãozinho, deixá-lo cagar nas ruas. Na verdade, o problema não é a merda em si, mas o fato de ela ficar justamente na calçada. Qual é o problema dessa gente?
Todos os dias, ao levar a Ana para a escola, deparamo-nos com merdas para todos os gostos! Maiores, menores, mais pastosas... Os aromas então... São aquela delícia! Hoje, por exemplo, tinha até uma nova pedida: vômito de cachorro! Sei que era de cachorro porque o vômito era composto de ração.
Mas a culpa não é dos companheiros peludos. Adoro cachorros! Apesar de admitir que a falta de convivência com eles acabou me tornando medrosa, principalmente quando se trata de exemplares de grande porte, mesmo que sejam inofensivos.
O problema são os donos, porcos relaxados, porcos imundos! Se as senhorinhas já estão muito velhas para se abaixarem e catarem as cagadas de seus animaizinhos, que não os levem para o passeio! Porra, é foda ter que caminhar na CALÇADA, que foi criada com essa finalidade, de ser um lugar seguro para os "passantes passarem" sem serem admoestados por carros ou outro tipo de veículo, mas ela é ao mesmo tempo uma zona de guerra, pois há minas para todos os lados!!!
Se você não for atento, pode pisar numa que vai acabar com o seu bom-humor!
Levem seus cachorro para cagar em terrenos baldios, mas melhor do que isso, juntem os charutos "das crianças", ou melhor ainda, se você gosta ou não se importa se o seu cachorrinho está emporcalhando as ruas, deixe que ele comece a cagar dentro da sua casa, em cima da sua cama quem sabe, eu não me importaria... hehe
Falando em charutos, hoje uma surpresa!
Fazia tempo que não via um despacho, mas ao desviar de uma merdinha seca, que ontem ainda tinha o frescor das manhãs, hoje vi numa sarjeta dois charutos, e ainda bem inocente pensei: "Nossa, são charutos? Quem deixaria cair dois charutos no chão e iria embora?" Daí me toquei que perto dos charutos havia uma garrafa de plástico de cachaça vagabunda e um copo quebrado.
Não bastam as merdas caninas, ainda temos que conviver com despachos de pessoas que não têm competência para conseguir alguma coisa, e por isso recorrem a essas ridículas "saídas".
Beijinhos de merda para vocês, e que a pomba-gira nos abençoe! ;)
quinta-feira, 19 de março de 2009
Mudei de idéia...
Lendo o resto do conto, vi que ele estava tão cheio de clichês, pior do que aqueles livrinhos de 1 real vendidos em sebos!
Por isso, desisti de continuar colocando-o aqui.
Ele é trash demais! hehehe
Em compensação, vou colocar uma definição de mulher aqui, espero que gostem!
"Apaixonadas, tolas, libertinas, doidivanas, mexeriqueiras, frívolas, volúveis, ignorantes, sem conselho de representação, fracas, descuidadas, atrevidas, orgulhosas, caprichosas, leva-e-traz, abelhudas, boateiras, más-línguas, maldosas e sob todos os aspectos EMPORCALHADAS COM OS REFUGOS DA ESTERQUEIRA DO DEMÔNIO."
(Esta frase pertence a um Bispo de Londres, da época da Rainha Elizabeth)
E eu adorei a última parte! Além de me identificar com a maioria das "virtudes" por ele citadas, adoro quando as mulheres são colocadas como os restos dos excrementos do Capeta! Muahahahahahaha!!!!
=D
Não, não acho que somos nada disso, mããããs, penso que o legal de acharem que as mulheres de séculos atrás eram bruxas, ignorantes e seres sem alma, deve-se ao fato de que os homens nunca nos entenderão, e aquilo que não entendem, assim como os céticos pensam, simplesmente não tem valor.
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